Escolhas.


“I'm not a girl, not yet a woman”. Nunca pensei que citaria Britney Spears em meus textos (rs.), mas essa fase de não ser mais uma garota, mas também ainda não ser uma mulher, é bem complicada. Dizem que a adolescência é linda, que é nela que temos os sentimentos mais intensos, as melhores descobertas, as aventuras mais inesquecíveis. As pessoas só esquecem de mencionar que é nessa fase também que metade das decisões mais importantes da nossa vida deve ser resolvida, com a desvantagem de não termos a tal maturidade que temos quando resolvemos a outra metade.

Recentemente, tomei uma dessas decisões importantes. Sinceramente achava que essa questão de saber o que fazer da minha vida já havia acabado (escolher uma profissão para ser mais exata). Estava na faculdade e adorando tudo que tinha lá (amigos, colegas, professores), mas de repente me dei conta de que o curso que eu havia escolhido não era exatamente o que eu queria seguir. Senti-me a pessoa mais burra e com o nível de autoconhecimento mais baixo do mundo. Mas depois refleti melhor sobre o assunto, e exatamente por me conhecer bastante que consegui perceber que aquilo não era para mim logo no comecinho. Agora já tenho um curso em mente e espero que ele seja mesmo o certo!
Sei que eu não sou uma das pessoas mais seguras do mundo, a dúvida sempre persiste em mim no que diz respeito àquilo que desejo. Mas uma coisa é certa: eu posso não saber o que eu quero, mas sei muito bem o que eu NÃO quero. E não vejo erros como fracassos, mas sim, como forma de aprendizado. Acho que tudo nessa vida é válido, nada é em vão. Sempre absorvermos algo por mais insignificante que seja uma experiência. Mas não é todo mundo que pensa assim.
Esse tipo de situação pela qual passei, aos olhos dos nossos familiares, nunca é vista dessa maneira. Contar para eles que investiram na gente, que aquele curso que estávamos fazendo (aquele mesmo que eles estavam pagando!) não é o que queremos da vida, é complicado. Fiquei uns dias sem dormir direito, pensando, pesquisando, buscando ter certeza de que era aquilo mesmo que iria fazer. Acabei decidindo que sim e resolvi enfrentar o que (ou quem) fosse para conseguir o que queria.
Determinação é fundamental nessas horas e a idéia de que é você quem rege sua vida não pode sair nunca de sua mente, porque a quantidade de pessoas que gosta de intrometer e resolver a vida alheia é enorme. Claro que no meu caso não foi diferente, mas eu não me deixei levar pelas idéias dos outros, estava convicta do que estava fazendo. A conversa foi difícil, mas consegui rebater todos os argumentos que usaram para me fazer desistir, e mesmo que eu não tenha convencido a todos de que aquilo era melhor para mim, pelo menos eles me apoiaram e aceitaram a minha decisão - isso me bastou, consegui o que queria!
Infelizmente, muitas pessoas não conseguem ter esse tipo de conversa, preferem deixar as coisas, mesmo que ruins, do jeito que estão à enfrentar quem ou o que quer que seja. Deixar de ser feliz para ver o outro contente, nunca me pareceu uma troca justa. Mas quem sou eu para julgar as pessoas? O livre-arbítrio existe para isso, cada um decide o que quiser.
Espero ter feito a escolha certa, caso não seja, tudo bem. Não tenho medo de errar, muito menos de voltar atrás. Acho que todos têm o direito de tentar (quantas vezes forem necessárias) até conseguir o que deseja - mesmo que falhe, não importa, o mais importante está na busca pelo que se quer. Ninguém nasce sabendo, é preciso errar para acertar. Simon Bolívar disse algo que resume tudo: “A arte de vencer se aprende nas derrotas”. Por isso devemos sempre estar preparados para o segundo round!