Em toda situação, seja ela almoço de domingo, aniversário de parente ou qualquer outra ocasião (principalmente familiar), em que jovens e adultos se interagem, o assunto “namoro” sempre está na boca dos mais velhos. Eles querem saber se aquelas antigas crianças realmente cresceram, e vêem no possível relacionamento delas a maior prova de que o tempo passou. Mas acontece que muitos adolescentes não se entregam a relacionamentos sérios, preferem aproveitar suas juventudes de outras formas, só que muitos adultos não entendem e questionam tal escolha. Nunca há uma resposta correta, então, para acabar de uma vez com o assunto, os jovens sempre respondem que a hora certa ainda não chegou e pronto (não há mais razão para se estender a conversa).
Eu sempre usei esse argumento, nunca achei necessário contar minha vida e enumerar as razões que me fazem ser solteira. Para mim, aproveitar minha juventude livremente ficando com várias pessoas, de jeito algum foi razão para me afastar de relacionamentos sérios. Nunca vi muita graça em dormir depois de beijar bocas de estranhos e acordar sem lembrar seus rostos. Mesmo assim, só isso que fiz na vida. Sempre dava telefones errados para aqueles com quem ficava ou evitava suas ligações. Desculpas esfarrapadas sempre os mantinham bem longe de mim.
Ao contrário do que muitos possam pensar, não fazia isso para tentar igualar as minhas atitudes às dos homens ou fazê-lo em prol de uma espécie de vingança feminina, não mesmo. Não seria tão fútil (e burra) assim. Sempre achei que esse estilo de vida masculino torna seus adeptos pessoas vazias. Estar com várias mulheres ao mesmo tempo e estar com nenhuma, matematicamente pode ser impossível, mas na verdade é a mesma coisa. Infelizmente, exatamente por ser assim, um belo dia me encontrei sozinha. Todos ao meu redor se permitiram ter um amor, menos eu. A sensação descrita por eles como conseqüência de suas paixões me parecia perfeita, por isso sempre quis me sentir assim pelo menos uma vez. Acontece que eu nunca me deixei viver algo do gênero. Por quê? Ótima pergunta. Pensei que não soubesse responder, mas hoje (in) felizmente eu sei. E me dói ter que admitir o quão medrosa eu sempre fui.
Resumindo: você passa uma vida inteira tentando construir a imagem de uma pessoa forte, independente, madura e segura, mas esquece de ser tornar uma. A imagem fica, porém a pessoa não. De repente se dá conta de que há uma barreira enorme entre você e o resto do mundo. O que seria uma proteção acaba se tornando um obstáculo, criando uma dificuldade enorme de comunicação com os outros. É difícil permitir que alguém consiga ultrapassar tal barreira que nem mesmo você foi capaz de pular. Ninguém se torna confiável suficiente para isso. Seus medos, complexos e dificuldades não permitem que outra pessoa conquiste sua confiança. Seu coração, apesar de pulsar de esperança, sangra de remorso por nunca ter permitido que alguém o conquistasse. O medo de sofrer te faz sofrer por ter medo.
Hoje, tenho plena certeza de que sozinha nunca conseguirei mudar. Para isso, será necessária a ajuda do outro. Temo ninguém ter coragem ou disposição para tal feito. Apesar de sempre ouvir dos outros que sou uma pessoa especial, nunca houve uma única alma viva que se arriscasse por mim – o que me faz duvidar dessa minha suposta qualidade, afinal, se eu fosse realmente especial não estaria nesta situação. Mas, é claro, que eu também farei minha parte, mudanças significativas não acontecem sem esforços. Vou me empenhar para mudar isso que tanto me incomoda e me faz sofrer. O número do meu telefone, eu prometo, a partir de agora passarei sempre o certo! =)