Primeiro dia de aula.


Primeiro dia de aula.
Já perdi as contas de quantas vezes o tive. E dos que aconteceram, também não saberia dizer em quantos deles eu chorei, afinal, foram muitos. Lembro-me de uma vez em que eu chorei tanto que minha mãe precisou ficar num lugar estratégico do pátio da escola para que eu pudesse vê-la, porque caso contrário, as lágrimas não parariam de cair do meu roto.
Não sei por que esse episódio se repetiu tantas vezes em minha vida. Apesar de gostar do ambiente escolar, e de esperar ansiosamente o primeiro dia de aula, eu sempre o temia. E quando chegava a hora, eu chorava (e muito).
O tempo passou e o meu comportamento infantil também (ainda bem). Já faz um tempo que eu não choro e nem chamo pela minha mãe quando se iniciam as atividades acadêmicas. Mas um sentimento daquela época permaneceu em mim: a ansiedade. Amanhã começam minhas aulas na faculdade e há uma semana venho tendo sintomas que não me deixam esquecer o assunto. Acontece sempre assim, meu coração dispara, eu fico ansiosa, meu corpo pede por chocolate e eu não consigo dormir direito – quase uma TPM. Não há endorfina liberada na academia nem risadas no cinema com as amigas que ajudem a passar essa tensão.
Eu fico projetando a cena várias vezes em minha cabeça, imagino rostos, ambientes, diálogos. E cada vez de uma forma diferente, em algumas o momento parece bom, em outras, ruim – as chances de algo dar certo ou não são sempre de 50% -. Decepcionar-me sei que eu não irei, não estou criando nenhum tipo de expectativa. Para mim a primeira impressão nunca é a que fica. Acho importante dar chance às pessoas para que elas possam mostrar quem realmente são, já que julgar os outros pela aparência é errado. É claro que existe aquela história do santo, e às vezes ele realmente não bate, não adianta forçar, mas... paciência, no final sempre tem alguém com quem nos identificamos.
Porém, apesar de ter consciência disso, o que eu queria mesmo era conhecer pelo menos uma pessoa de lá, para não me sentir tão sozinha. É meio desesperador não ver rostos conhecidos em lugares estranhos. Mas passei por isso tantas vezes que já me acostumei, só não entendo por que ainda me importo tanto. Todos estarão vivendo a mesma situação que eu, não há nada a temer.
Bom, ainda bem que faculdade não é algo tão novo para mim, já cursei um semestre em outro lugar e tenho noção de como as coisas funcionam. Apesar de termos uma maior autonomia, nos são passados incontáveis xerox, muitos trabalhos, muitos livros para ler... e a gente que se vire! Mas o mercado é assim mesmo, temos mais é que nos acostumarmos com a realidade e o melhor lugar para aprendermos é nosso ambiente de formação profissional. Ser universitário é isso.
Aaah! Tô ansiosa!
Seja o que Deus quiser! – pelo menos eu consegui não roer as minhas unhas... (ponto pra mim!)