Pedestal.

Eu teria muita coisa para dizer se eu soubesse organizar e traduzir meus pensamentos como sempre fiz, mas ultimamente tudo anda tão confuso que nem disso estou sendo capaz. Há mais de duas semanas tento escrever algo, mas apesar da necessidade de palavras, frases, pontos e orações que meu corpo possui, não consigo redigir coisa alguma - ainda há vários textos inacabados salvos no meu computador -.
Idéias soltas que se perderam por aí, não consigo definir sensação alguma. Ninguém faz idéia do tanto que isso me angustia! De repente perdi todo controle que tinha sobre mim. Quanto mais problemas e mais coisas para resolver eu tenho, maior é a minha vontade de jogar tudo pro alto. Deixei definitivamente a heroína que sempre quis salvar o mundo de lado e vesti a camisa da Gabryela mortal, igual a todos ao meu redor.
Chega uma hora que “ser especial” deixa de ser uma qualidade e ganha um sentido pejorativo. É quase como um fardo que a gente carrega por ter que corresponder às expectativas alheias. Ganhamos um rótulo e um guia do que devemos ou não fazer, ver e até mesmo ouvir – acreditem, até hoje ouço pedidos de desculpas quando falam um palavrão perto de mim!-. Eu sei, as pessoas não têm intenção alguma de me magoar, pelo contrário, só querem me fazer bem, mas todos sabemos que zelo demais não ajuda em nada, pelo contrário, só atrapalha! Precisamos levar uns tombos pelo caminho, machucar e sentir dor, para que depois tudo cicatrize... Afinal, é esta a cruel diferença entre viver e existir.
Não quero que as pessoas pensem que sou uma ingrata, sei reconhecer o valor que os outros dão a mim; sempre serei muito agradecida a todos por tudo que fazem/fizeram/farão pela minha pessoa... só peço, por favor, me tirem e nunca mais me coloquem num pedestal - eu tenho medo de altura... (!)