Não se aproxime!


Confesso que sempre me vi como uma garota mal amada. Daquelas que todo sujeito não suporta e não quer nem se aproximar. Me perguntava o que eu tinha de errado e porque ninguém se arriscava a viver o que quer que seja comigo. Mas esses dias estive pensando e percebi que a minha situação é bem pior do que imaginava.
Não é que eu seja mal amada, a verdade é que eu não quero ser amada. E não é um querer consciente. Eu não levanto e digo: “Deus, por favor, não deixe que alguém se apaixone por mim hoje”, pelo contrário, ainda espero ansiosamente o dia em que encontrarei aquele que me faça perder o sono e me ensine a amar.
Às vezes, me interrogo se é normal esse medo. Com tantas coisas para eu temer, fui escolher logo o compromisso? Estranho como um passado que nem me pertence consegue me fechar tanto assim. Juro que me esforço para mudar isso, mas qualquer sentimento inconsciente supera todas as minhas razões. Não adianta lutar contra, esse medo sempre acaba vencendo.
Sinto como se existisse uma placa enorme ao meu redor dizendo: “Perigo, não se aproxime”, como se eu fosse uma pessoa cruel, daquelas que faz e deseja o mal a todos. Logo eu, que não sou capaz de fazer mal a ninguém.
Não faço a menor idéia de como eu consigo assustar tanta gente. Como construí essa barreira que impede a aproximação dos outros ainda é algo que desconheço. Muitas vezes me sinto mal, porque acredito que a maioria das pessoas não me conhece realmente. São poucos aqueles que conseguem me conhecer “de verdade” e, mesmo assim, isso não acontece de imediato.
Fico pensando em soluções para resolver esse problema. Já pensei em benzer, fazer simpatia, promessa... tudo para mudar essa situação que tanto me incomoda.
Bom... Sexta-feira eu cortei o cabelo. Será que ajuda?