Primeiro post do ano.
Confesso que estava o evitando. A verdade é que nestas últimas duas semanas ainda tantava acreditar naquela sensação que o início do ano nos proporciona, nos sentimentos de esperança, inovação, mudança e recomeço. Particularmente, acho que não existe coisa mais clichê que falar sobre isto nessa época do ano. Preferi então deixar este assunto de lado. Não vou ficar falando sobre meus desejos e planos, vou guardá-los só para mim (e tentar acreditar neles).
Queria começar o ano colocando meus pensamentos no lugar. Minha psicóloga está de férias e eu preciso desabafar de alguma forma. Não é bem um desabafo. Gostaria apenas de falar sobre algumas coisas que estão me incomodando no momento.
Não faço idéia de quem realmente lê isso aqui. Creio que não sejam muitos, e os poucos que o fazem têm todo meu carinho. Não me importo que saibam sobre aquilo que escrevo, afinal, não são segredos, são apenas assuntos que quase não comento e sinto falta de desenvolver com alguém.
Estes dias me dei conta de que estou me tornando uma pessoa muito descrente. Sinti-me mal quando percebi que, hoje, sou tudo aquilo que eu sempre temi ser. É triste ver que uma garota de apenas 18 anos só acredite naquilo que exista explicação. Sentimentos, sensações, fatos... tudo para mim existe um porquê – e eu mesma tenho as explicações para eles. O coração é apenas um órgão muscular que bombeia o sangue para o corpo. Amor, amizade, desejos, tristezas... Tudo é invenção do homem!
Para mim nada acontece por acaso e tudo tem algum sentido. Já não sonho mais, porque sonhos são muito irreais. Nem com muito esforço consigo desejar alguma coisa que é difícil de se realizar. Acabou a ambição, acabou a esperança. Existe algo mais triste que isso? Já não acredito no mundo, nas pessoas, nem em mim mesma. Antes via o que os outros tinham de melhor, hoje só vejo aquilo que têm de ruim. Como conviver com alguém assim?
Não quero mais buscar explicações e nem inventar sentidos para tudo que acontece ao meu redor. Por que as coisas não podem simplesmente acontecer? O interessante da vida é conviver com aquelas perguntas que não existem respostas. Quando algo faz sentido, perde completamente a graça. Quero me procurar de novo, procurar o mundo, as pessoas e coisas que me cercam... mas, sinceramente, não quero encontrar. Porque viver é buscar, não achar.
