Ela pela primeira vez, aos 18 anos, se apaixonou. Ele possuía nenhuma característica do estereótipo físico que ela sempre idealizou: era baixinho, careca e, ainda por cima, banguela – mas mesmo assim possuía o sorriso mais sincero que ela já vira em toda sua vida. A comunicação entre eles era diferente, não havia diálogo (ele não sabia falar). Eram apenas sons, gestos e olhares. Ao fitar seus olhos por alguns segundos, ela o compreendia melhor do que se tivessem conversado por um dia inteiro. Com ele, ela voltara no tempo. Aquelas músicas que a ninaram, agora, embalavam o sono dele enquanto ela o fazia dormir. Para vê-lo sorrir, ela sempre inventava músicas, tons de voz, sons e gestos estranhos (o que a fazia se sentir uma imbecil às vezes). Nada nele a incomodava, nem os puxões de cabelo, nem as golfadas e nem os choros intermináveis. Tudo era lindo! De certa forma ele precisava dela. Era totalmente dependente de alguém, afinal, não fazia nada sozinho. Por causa desta dependência, ela sentia vontade de protege-lo do mundo, queria que ele encontrasse em seu colo um porto seguro. Os papéis também se invertiam e quem oferecia proteção, muitas vezes, precisava dela. Ela criara um laço tão forte com ele, que nem imaginava mais como seriam os dias sem sua presença. Aquela vida já fazia parte da sua. Era amor demais, em sua forma mais sincera... amor de uma criança, que nunca nos faz sofrer e ainda nos ama sem exigir nada em troca.
