Vazio cheio?!

É assim com todo mundo, comigo não seria diferente, um dia tem que acontecer. Uma espécie de inferno astral fora de época que antecede nosso aniversário. Tudo dá errado, pensamos até que alguém anda colocando mau-olhado, fazendo macumba ou coisas do tipo com a gente, e nosso primeiro pensamento é: “tô precisando benzer”.
Foi assim comigo no começo deste mês, tudo aquilo que eu pedia a Deus todas as noites para que não acontecesse, aconteceu. E eu, é claro, estava muito triste por isso.
Com meu jeito reservado, acho que ninguém percebeu tamanha tristeza, afinal, não sou do tipo de gente que gosta de sofrer e mostrar a todos o quão péssima eu estou. Não saio por aí erguendo cartazes implorando por ajuda, pelo contrário, fico na minha. Só divido minhas angústias com poucos, pois sei para nosso processo de recuperação desabafar com algumas pessoas é fundamental. Não porque elas têm soluções para nossos problemas, até porque na maioria das vezes elas não têm, mas o simples fato de nos ouvir já ajuda (falar alivia as dores do coração!).
Agora já está quase no final do mês e eu não estou mais sofrendo. Parece que a gente acaba transformando nossa tristeza em aprendizado, vai aceitando algumas coisas, entendendo outras. Na verdade, não sei direito em que aquele sentimento ruim se transformou. Ainda me questiono a respeito disso.
Hoje, aqueles para quem eu contei meus problemas me perguntam se já estou melhor. Sinceramente não sei responder esta pergunta. O que eu sinto é que nada sinto. Difícil entender, nem eu sei ao certo o que isso significa. Não é tristeza, não é felicidade. É nada. Se é bom ou ruim, também não faço idéia. A única coisa que sei é que meio a tanta obscuridade, tem dias que meu coração se enche de emoções distintas, mesmo sabendo que há um grande vazio aqui dentro. Como isso é possível? – Boa pergunta!