Aprendemos que o ciclo natural da vida é esse: a gente nasce, cresce, se reproduz e morre. Simples. Criamos uma idéia de que só depois que estivermos velhinhos e cumprirmos essas etapas é que deixaremos este mundo. Mas não. A vida é muito mais complicada. Esquecemos que as exceções superam o natural, e nos dias atuais a maioria das pessoas falece antes mesmo de viver metade do que deveria.
Este mês em especial me fez refletir sobre o assunto. Apesar de saber que a morte é a única certeza que temos em nossas vidas, ainda é muito difícil aceitar quando ela chega, principalmente para as pessoas que amamos.
Diariamente lemos notícias anunciando que alguém morreu, isto se tornou tão comum que tratamos o assunto com banalidade. Nunca pensamos na dor dos familiares e amigos daquela pessoa. Nós nos comovemos mais com a propaganda da telefonia celular do que com esse tipo de situação. Mas, como disse, esse mês foi diferente. Amigos de pessoas muito próximas, prematuramente, deixaram este mundo. Conheci mesmo apenas um, mas ambos pareciam ser muito especiais, por isso deixaram muita gente aqui sofrendo pela falta deles. É inevitável não sentirmos por essas pessoas, a dor parece insuportável, é inaceitável mesmo, mas não há nada que possamos fazer - por mais difícil que seja, a vida continua...
E ela é imprevisível. Sei que estamos sujeitos a tudo nesse mundo, a qualquer momento algo de ruim pode nos acontecer. Mas insisto em acreditar que estou protegida de todo mal da Terra, que Deus guia meus passos e por isso nada de ruim acontecerá comigo. Sei que não é bem assim que as coisas funcionam, mesmo contra a vontade dEle eu posso ser vítima desse mundo louco, mas preciso acreditar nessa idéia (funciona como um estímulo para se viver). Pensar que existe alguém me protegendo o tempo todo é sempre confortante. Não acho que a proteção divina tenha perdido sua força, pelo contrário, ela tem atuado mais do que nunca nesses últimos séculos. O homem é quem tem conseguido acabar com a tranqüilidade do seu semelhante e mudado radicalmente aquele ciclo raro, antes denominado natural.
Tenho medo que algo ruim aconteça comigo ou com alguém que amo, acho que não tenho forças para suportar um adeus definitivo. Não sou do tipo de pessoa que ama todo mundo, mas aqueles que têm o meu amor o têm da forma mais intensa possível, e, por causa disso, temo sofrer na mesma proporção. Mas não quero pensar nisso.
Vou aproveitar minha vida. Se já sei que ela é imprevisível tenho mais é que vive-la intensamente, não temer nada nem ninguém. Se o presente é um presente não abrirei meu embrulho com cautela, vou rasgá-lo com todas as minhas forças sem medo de deformá-lo. Quero estar com ele o maior tempo que puder e aproveitar dele cada segundo, afinal, amanhã posso ou não o ter novamente.
