Dia Atípico.

Sexta-feira. Saiu do cursinho 5 minutos mais cedo com medo de se atrasar. Já estava anoitecendo e o tempo esfriando. A sessão começaria às 19 horas, mas ela teria que ir a pé até o local do encontro. Tentou fazer um trajeto diferente para chegar mais rápido, mas com sua total falta de direção acabou se perdendo no caminho. Para sua felicidade chegou a tempo (até cedo demais). Entrou no shopping, subiu as escadas rolantes e seguiu rumo ao cinema. Por ser estudante comprou meia-entrada. Optou por uma comédia romântica que estava em cartaz (precisava dar umas risadas), e, aproveitando o troco, comprou também uma pipoca e um refrigerante pequeno. A sala ainda estava fechada, então ela ficou ali esperando. Chegou até mesmo a comer algumas daquelas pipocas que ficam no topo para evitar que caíssem no chão – mas não adiantou e algumas acabaram caindo! Um tempo depois a porta se abriu e, como uma das primeiras pessoas a entrar, ela pôde escolher com tranqüilidade o lugar que gostaria de se acomodar. Escolheu bem lá em cima, na última fileira. Ocupou 2 cadeiras, uma para ela e outra para sua enorme bolsa. Colocou o refrigerante no porta copos e ficou segurando a pipoca. O filme demorou a começar. Depois que ele se iniciou, as luzes se apagaram e ela tirou os sapatos para se sentir mais a vontade. Ninguém estava a seu redor, as poucas pessoas que estavam na sessão se encontravam em lugares bem distantes do dela, por isso em nada atrapalharam. Aquele grande espaço que ela destinara para si continou intacto. Acomodada, sentiu-se em casa. Boba-alegre, como sempre, riu de todas aquelas cenas típicas de comédias românticas - que usualmente têm o mesmo enredo (só que contado de formas diferentes). Saiu de lá satisfeita, apesar de não ter visto um filme digno de um oscar, divertiu-se bastante. Para finalizar o dia, comprou um sorvete no McDonald’s e foi embora. Ficou do lado de fora do shopping esperando o ônibus passar. Só ela, a bolsa, o sorvete e seu MP4 (e mais alguns desconhecidos que não têm importância alguma na história). O ônibus finalmente veio, ela embarcou e no caminho ouviu algumas músicas até sua casa. Quando chegou percebera que estava feliz. Sorridente, contou à mãe que tivera um encontro com alguém muito especial: ela mesma! Surpreendeu-se com o passeio. Antes, queria saber qual era a sensação de estar totalmente só (indo ao cinema sozinha, por exemplo), mas no fundo temia vivenciar o auge de sua solidão. Então pagou para ver e submeteu-se a tal desafio. Descobrira que é uma pessoa agradável e que para se divertir não é necessária a companhia de outrem, basta a sua.


"As pessoas não se precisam. Elas se completam.
Não por serem metades, mas por serem pessoas inteiras,
dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida." Mário Quintana