Final do ano. Cidade iluminada. Ainda me lembro do passeio que eu e minha família fazíamos pela cidade. Íamos aos mais variados lugares para contemplar os diversos locais que se enfeitavam para essa data. Havia concursos e prêmios para aqueles que melhor enfeitassem suas casas ou prédios. Meio a tanta concorrência, as pessoas caprichavam e faziam de suas decorações obras de arte. Sei que nos dias de hoje esse fenômeno é raro - sair pela cidade a procura de “luzinhas” equivale à busca pelo tesouro perdido – quase não há quem o faça. A luz está caríssima, aumentar o consumo para enfeitar a região não compensa. Uma pena. Adorava ver a cidade iluminada...
Enfim, aproveitando o âmbito de minhas lembranças infantis e, mais especificamente, de final de ano, quero compartilhar com vocês uma dúvida que me corrói. Não consigo me lembrar a partir de que data as pessoas realmente iniciavam o processo de preparação para o Natal! Minha memória diz que essa transição acontecia no mês em que ele é comemorado: dezembro. Mas, hoje, vemos lojas enfeitadas com guirlandas e árvores natalinas em pleno mês de outubro. Uma semana depois do dia das crianças, o bom velhinho já dá o ar da graça à população.
O tempo voa, seu sei, mas dois meses são muita coisa. Gerar ansiedade e expectativas precocemente não faz bem a ninguém. As pessoas se sentem desmotivadas, acham que não há mais tempo para realizações este ano e desistem de planos que ficaram pendentes.
Até uns quatro, cinco anos atrás, para mim, final do ano era sinônimo de período sereno. Não havia preocupações em relação à escola (pois sempre era aprovada antes do término do ano letivo), problemas pessoais, vestibular, nada. O meu maior dilema era: “o que eu quero ganhar de presente no natal?”. Nesse período, lógico, não me incomodava com enfeites natalinos, na verdade, nem reparava na presença deles antes do tempo (será que sempre estiveram lá nos meses de outubro e novembro?)
Depois dessa incrível época, o final do ano tornou-se assustador. A corrida pela recuperação de notas, medo da reprovação, problemas com amigos, familiares e tudo mais se intensificou.O pouco tempo que restava para a conclusão de tudo parecia ser ainda menor quando me deparava com as típicas propagandas dessa época espalhadas pela cidade, o que, obviamente, me deixava desesperada.
Tenho certeza que essa relação de preocupação com tal período influenciou muito a minha observação - ou a falta dela - pelos artifícios natalinos em lojas e locais públicos. Quando eles se tornaram sinônimo de algo que eu não queria lembrar, se fizeram constantes e não me deixavam esquecer que o fim do ano se aproximava. E, quando eu não o temia, raramente me dava conta de que Papei Noel já estava a caminho de nossos lares.
Porém, apesar de todas essas conclusões, ainda me indago se tudo realmente sempre foi assim. Eu acho que atualmente as pessoas conseguem adiantar ainda mais o tempo - logo ele que passa tão depressa!-. Só espero que possamos aproveitar o final do ano sem tanta correria, afinal, temos muito o que fazer até ele terminar!
