Estudei 10 anos na mesma escola, durante essa época enfrentava poucas mudanças: mudavam os professores, as salas de aula (às vezes nem isso) e poucos colegas. Mas a biblioteca, o pátio, os funcionários, até mesmo o sabor do pastel da cantina continuavam os mesmos.
Depois, com o término do ensino fundamental, hora de mudar tudo. E realmente mudou, mas a mudança não se firmou, ela esteve presente nos três anos decorrentes do ensino médio. Estudei cada ano dessa etapa em uma escola diferente – Não, não pertenço a famílias nômades. Na verdade eu escolhi assim, não sei exatamente porquê, mas eu precisava de novos ares em cada um daqueles anos.
Com o fim do ensino médio veio a universidade, mas eu a tranquei logo no primeiro semestre, depois veio o cursinho. E agora para este ano (como de costume): novas pessoas, novos ambientes, uma nova faculdade e um novo curso em minha vida. Mais uma vez começo o ano sem ter a menor idéia do que/quem me espera.
Não posso negar que eu gosto muito da mudança, do diferente, da renovação. Mas, apesar disso, morro de medo dessas coisas. Mesmo carregando uma bagagem enorme de experiência sobre o assunto, quando vem o novo minha cabeça dói, tenho frio na barriga, meu coração dispara... como se eu nunca tivesse passado por isso antes. Busco um refúgio no meu passado, me prendo a ele, procuro guias e lições para me ajudar a enfrentar tal situação. Divido-me entre entrar de cabeça no novo e me arriscar ou deixar as coisas como estão (por sensatez ou até mesmo por comodismo). Escolho a primeira opção, mas de uma forma personalizada. Apostar nas mudanças? Sim! Todas as fichas? Não! Nunca tive segurança o suficiente para me entregar de corpo inteiro às mudanças, pelo contrário, sempre mantive um pé atrás em relação a elas. Apostava desconfiando. Talvez por isso nunca tenham dado certo. Talvez por isso eu tenha precisado renovar tantas vezes. Talvez...
Hoje, já tendo consciência disso, de coração e cabeça igualmente abertos, tais aflições e medos que as mudanças sempre provocaram estão se amenizando dentro de mim. Aceito e almejo que venham logo. Sem desconfianças ou represálias, pois sei que mudar faz parte da vida e nos ajuda a evoluir.