É lindo, engraçado, estranho, extraordinário (tudo junto) o que o tempo faz com a gente. Parece que a vida aos poucos vai colando plumas em nossas costas até que um dia, sem nos darmos conta, um lindo par de assas surge. Então ela nos diz “se joga” e a gente o faz com um sorriso de orelha a orelha.
Outro dia reli todos os textos do blog. Voltei ao tempo sem ao menos precisar de uma máquina para isso. Revivi todas aquelas angústias, tristezas e medos que tanto mexiam comigo. Consegui perceber a evolução dos meus conflitos, o crescimento do meu amor-próprio e o auto-conhecimento que invadia o meu corpo a cada post publicado.
Tantas mudanças. Tão pouco tempo.
Cada letra daquelas palavras tinha poder sobre mim. Algumas me libertavam, outras aprisionavam. Algumas organizavam, outras bagunçavam meus pensamentos. Mas todas me fizeram um bem incalculável. Toda dor, inquietação, felicidade, alivio, rancor, saudade... tudo (até a falta daquele amor que eu sempre almejei), hoje, faz todo sentido do mundo pra mim. Se não fosse por isso não seria nem metade do que sou hoje.
Cada momento – de felicidade, ou não – teve uma importância ímpar em minha vida. Tudo que vivi proporcionou-me um conhecimento sobre mim mesma que provavelmente nunca teria alcançado caso tivesse uma vida isenta de problemas e dificuldades.
A tristeza, sentimento temido por todos, ao meu ver, é muito importante na vida das pessoas. Acho que é através dela que moldamos nosso caráter, que entendemos melhor o outro, e, é claro, a nós mesmos. As pessoas deviam deixar de temê-la e nunca a ver como um castigo, mas como uma oportunidade de crescimento.
No começo é difícil, é inevitável não nos sentirmos as criaturas mais injustiçadas do planeta, mas com o tempo, se soubermos lidar com ela, perceberemos o quanto ela acrescentará a nossa vida.
É claro que me refiro àquelas tristezas necessárias. Não acho certo perder nosso tempo com coisas pequenas. Saber filtrar aquilo que vale ou não a pena é fundamental.
Aprendi que a maioria das coisas que me fazia perder o sono, na verdade, não possuíam importância alguma. Acontece que temos mania de perder nosso tempo com banalidades, mas podemos mudar tal situação. Antes, além dos meus problemas, eu temia pelo outro também. Achava que possuía obrigação de evitar sua dor (como se eu tivesse algum poder sobre isso). Depois de me dar conta que sou igual a todo mundo e que se eu, sozinha, podia lidar com meus problemas, os outros também poderiam (e deveriam) superar os seus. A gente simplesmente não pode abraçar o mundo e protege-lo do mal que existe por aí.
É como receber anticorpos que ajudam nosso sistema imunológico a saber encarar a realidade da vida. Tudo passa a ser muito mais simples, grandes obstáculos se tornam pequenos demais e nenhuma dor é maior do que podemos suportar.
Hoje sei lidar com as coisas ao meu redor, sinto-me privilegiada por isso. Sei que não tenho a melhor vida do mundo, mas sou feliz com o que tenho. Busco melhorias, é claro, a tendência do ser humano é sempre essa: evoluir. Já não me importo em errar, pelo contrário, prefiro errar agora que é a hora certa para isso e aprender com meus erros, do que fazê-lo daqui a 10, 20 anos quando o tempo já não for tão compreensível comigo. Permito-me mais e desejo a mim tudo de bom que há no universo, além de algumas coisas ruins também, para que eu possa, assim, dar valor àquilo que conseguir.
Quero sol, quero chuva, arco-íris, viagens, tristezas, sorvete, chocolate, dinheiro, sorrisos, família, perdas, ganhos, festas, amigos, amores, saudades, alegrias, dores, músicas, livros, cinema, pipoca, montanha russa, paz, decepções, abraços, carinhos, frios na barriga, plenitude... Enfim, quero viver tudo que há pra viver, nunca desistir de nada. E, principalmente, aceitar e aprender a gostar da minha vida, afinal, além de ser a única que possuo, dela nunca saberei quando vou sair.