Eu queria me entender melhor. Na verdade, eu queria entender as pessoas, o mundo, a vida, enfim.... tudo! - mas me bastaria saber mais sobre mim do que qualquer outra coisa. Queria entender por que eu me importo tanto com tudo; por que desejo as coisas com a mesma intensidade que as temo; por que minhas emoções sempre perdem as batalhas contra minha razão e o porquê há tantos por quê's a serem desvendados.
É complicado. A sensação que fica é de que somos estranhos a nós mesmos. Olhar para o espelho e se reconhecer é fácil, difícil é se ver em atitudes (das mais corriqueiras às que juramos jamais cometer).
Uma pena. Acho que todo mundo tinha o direito de saber mais sobre si do que qualquer outro assunto. Quem se conhece bem, entende melhor o outro, e as vantagens disso são imensuráveis. Infelizmente o que acontece é o contrário. Sabe-se mais sobre números e novelas do que de pessoas e o nível de auto-conhecimento de todos nós é quase nulo.
Nunca saberemos ao certo do que somos ou não capazes, tudo é tão relativo e complexo que o que hoje julgamos errado pode ser nossa salvação de amanhã. Aquele clichê “nunca diga nunca” é o mais certo que conheço, afinal, seria muita pretensão da nossa parte limitar um futuro que nem se quer temos controle (se é que temos controle sobre algo).
Ah! E como eu odeio essa falta de domínio que temos. Sempre fui imediatista, sempre quis o mundo pra ontem. Não consigo assistir a um filme sem me afligir em seus minutos iniciais, é angustiante esperar que a história faça algum sentido. Eu me preocupo com o meio e o fim de tudo aquilo que se inicia, minha cabeça não para porque está sempre pensando no depois (às vezes esquece até do agora).Odeio perder o controle e a razão - talvez por isso meu coração tenha assumido tão poucas vezes o comando da minha vida- e não é fácil. Quem pensa demais e deseja demais, sofre na mesma proporção.
Mas, o fato é que devemos seguir em frente e buscar as respostas para aquelas perguntas que tanto nos atormenta. Na verdade, encontraremos mesmo só algumas. Porém, é importante ressaltar que achá-las é o de menos, porque, como já disse uma vez, o principal está na busca e não na descoberta - a maioria das coisas perderia a graça se desvendássemos seus mistérios.