A espera da outra.


Difícil começar um post quando as palavras perdem sua razão de ser e já não conseguem traduzir sentimento algum. Ando angustiada, perdida e confusa. Sei que meus questionamentos a respeito da vida não pertencem apenas a mim, todo ser humano carrega dentro de si variados tipos de perguntas que, sabem, jamais serão respondidas.
É como se tudo estivesse errado e fora do lugar. Minha vida não pertence a mim. Apesar de soar esquisito, isso faz todo sentido do mundo quando olho ao meu redor e só vejo estranhos, mesmo quando todos os rostos são conhecidos. Às vezes, até mesmo a minha imagem não me é familiar.
Vivo minha rotina sem paixão. O cotidiano funciona automaticamente, faço as coisas por fazer. O pior é que isso não tem a ver com escolhas erradas, arrependimentos. Não acho minha vida ruim, tenho muito mais do que deveria e é exatamente isso o que me incomoda. Odeio o fato de ter um estilo de vida que me foi dado, sem eu nunca ter pedido e ter que pagar por ele com o que tenho de mais precioso: meu amor próprio. Logo ele que tanto me faz falta!
Parece exagero, ingratidão. Mas o que começou com a intenção de ajudar, desculpe a rima, só conseguiu machucar. Talvez tenham sido interpretações erradas, falta de comunicação, qualquer coisa. Não descarto a possibilidade de que por trás disso tudo há muita proteção e amor reprimidos, mas eu nunca entendi assim.
Ser solidário não é um dever, é uma escolha. Ajudar o próximo só se for de coração, se não vira uma obrigação e a magia do ato acaba. Cobranças, imposições e ameaças. Impossível conseguir viver uma vida serena sob essas condições. Vive-se para agradar o outro, não a si mesmo. Não há liberdade, às vezes, falta até mesmo ar.
Mudar a situação acredito que seja possível sim, mas quase impossível. Difícil acabar com aquilo que já se solidificou. É preciso mudar atitudes e pensamentos que talvez nem tenham mais capacidade para isso. Uma luta totalmente desigual. Na certa, um sofrimento em vão.
Mas o errado nunca me pareceu tão certo! Jogar tudo para o alto não me parece uma loucura, mas sim, uma necessidade. Quero abandonar a menina medrosa, pessimista e insegura para deixar a mulher guerreira, confiante e um pouco insana também (por quê não?), assumir de vez o comando da minha vida. Sei que ela existe, mas ainda está adormecida apenas esperando o momento certo para, enfim, acordar.