Liberdade, para quê te quero?!

É uma inquietação que não acaba, uma agonia difícil de explicar. Talvez os hormônios sejam a razão disso tudo – pelo menos é o que os mais velhos dizem quando nós, jovens, estamos mais agitados. Mas é incrível, são 24 horas preocupada, não consigo dormir direito. Fico só pensando, pensando, pensando...
Sofrer por antecipação é a pior coisa que podemos fazer nessas horas, porém, eu não consigo evitar. Não economizo lágrimas e pensamentos negativos quando a incerteza antecede fatos importantes. O que me consola é que no passado, na maioria das vezes, os acontecimentos não foram tão ruins quanto eu imaginava; acho que soube lidar com grande parte deles muito bem. Mas agora é diferente. São tantas coisas em jogo!
É meu futuro, minha vida. E eu me preocupo (muito) com isso. Meu grande problema foi ter nascido com a síndrome de super-herói. Sempre quis mudar/ajudar o mundo e as pessoas, por esse motivo, durante um bom tempo esqueci de mim. Quando resolvi me ajudar, com o intuito de recuperar o tempo perdido, tomei decisões precipitadas. Resolvi ser adolescente na hora de me tornar adulta; coisas idiotas como achar que está sempre certo, que é inatingível (como se nada nem ninguém pudessem me machucar), querer o mundo pra ontem... faziam – e ainda fazem – parte do meu dia-a-dia. O resultado disso? Decepções diárias.
Mas não adianta, tenho uma dificuldade enorme em aceitar algumas verdades. Não consigo me conformar e deixar minha vida seguir qualquer rumo, preciso correr atrás dos meus sonhos, não esperar (sabe-se lá até quando) que eles cheguem até mim. Quero mudar muita coisa que julgo estar errada. Mas para isso teria que abrir mão de quase tudo que tenho, e, talvez, enfrentar algumas pessoas importantes - justo aquelas que nunca quis magoar.
Infelizmente, por enquanto, essa minha heroína que faz e acontece, vive só nos meus pensamentos e na vontade que tenho de transformar tudo ao meu redor. Falta-me a coragem, a força e a determinação que sempre achei que não tivesse. Mas aí, eis que uma dia me pego pensando seriamente em tirar meus planos da cabeça e trazê-los para a realidade, e, de repente, percebo aquela coragem chegando, um pouco acanhada ainda, me pedindo que a tome como minha. Foi a partir daí que a tal inquietação, que mencionei no começo do texto, começou. A todo instante o medo e a coragem brigam, medem forças, falam alto. Eles tentam provar qual deles é o mais certo, expõem defesas, fazem acusações... e está sendo muito difícil julgar tudo isso. Estou perdida, não sei o que fazer.
E pensar que tudo começou só porque eu achava que seria mais feliz se fosse mais independente. Para ser realmente livre, talvez seja mais fácil comprar um par de asas e sair voando por aí...