Há certas coisas que são difíceis de admitir: confesso que sou uma tola insegura, não sei lidar com a realidade da minha vida. Descobri que minhas conquistas, no fundo, nada mais eram que derrotas e, por alguma razão que desconheço, não consegui perceber isso.
MUDANÇA. Este é o nome da minha ilusão. De uns tempos pra cá minha vida se resumiu a essa palavra. Por exemplo, no ensino médio estudei cada ano em uma escola; nos dois anos posteriores cursei duas faculdades (e cursos) diferentes. Na época não foi fácil, cada mudança gerou em mim muito sofrimento, afinal, eu não era a única envolvida na história, havia quem financiasse tais escolhas e eu tinha receio de que no final nada desse certo.
Feliz ou infelizmente, meus desejos se realizaram - em parte, claro. Na fase pré-mudança havia centenas de planos e idealizações que se fracassavam ao longo do tempo. Descontente, resolvia mudar e recomeçar a minha trajetória: novas metas estariam por vir – como se eu tivesse todo o tempo do mundo para encontrar o que realmente eu procurava.
Agora, sejamos sinceros: quem sabe o quer? Que idéia mais utópica essa minha... Óbvio que sempre havia insatisfações, não há como encontrar a felicidade assim, de uma hora para outra. Felicidade é construída, não achada. E como construir algo bem estruturado em pouco tempo? Impossível! Mas a apressadinha aqui nunca conseguiu esperar... E olha que isso não é de agora, nem na hora de nascer eu consegui passar os 9 meses na barriga da minha mãe; cheguei com quase três meses de antecedência. Fui apressada para nascer e sou mais ainda para viver! Porém, toda essa ganância está surtindo um efeito contrário, a cada plano frustrado adio a minha vida, minha felicidade... mas não sei até quando poderei fazer isso.
E eu realmente achava que as mudanças que passei durante todos esses anos fosse algo positivo, um amadurecimento. Mas não, nada disso. Cada passo que eu dava para frente, eram dois para trás. Mudar é o de menos, a parte mais fácil. Difícil mesmo é permanecer ali, continuar com a mesma garra que possuía ao iniciar um plano. Todo início é fácil, em todos os campos imagináveis (pode-se escrever um livro sobre isso tamanha suas possibilidades), mas, o que eu quero dizer aqui é que eu errei. Errei feio ao confundir mudança com fuga. Achar que mudando eu me aproximaria dos meus sonhos, mas o que estava fazendo era o contrário, só consegui me afastar.
Hoje, me sinto perdida e confusa. Sinceramente não consigo pensar numa saída. A idéia de jogar tudo para o alto e recomeçar me tenta de uma forma difícil de entender. É fraqueza, eu sei. Mas do jeito que está, acho que não consigo deixar fluir. O problema é que estou perdendo tempo, não serei jovem para sempre, fato. Mas espero conseguir resolver todos esses conflitos logo e encontrar o caminho certo para a minha felicidade, afinal, se demorar muito, pode ser tarde demais.