A vida que a morte tem.

Já fazia algum tempo que ela não nos fazia uma visita, depois de pouco mais de doze anos sem aparecer, ela, a morte, inesperadamente levou um ente da minha família. Apesar de tê-la como a única certeza de nossas vidas, é impossível não nos abalarmos quando ela finalmente aparece. Morrer não está nos planos de ninguém, é difícil pensar que de um dia para o outro não estaremos mais aqui. Ainda temos aquela fantasia de que somos imortais, como se houvesse todo o tempo do mundo para realizarmos aquilo que gostaríamos. É por isso que planejamos tanto, sempre há coisas inacabadas e conversas adiadas. Para nós o amanhã é certo, mas para a vida, não.
Dependendo da situação, a pior parte não é de quem vai, mas sim, de quem fica. Lidar com a morte de quem amamos não é fácil. Aquela idéia de estarmos juntos “para sempre” é substituída por um “nunca mais” perturbador. Quem dera fosse possível saber a hora de nos despedirmos das pessoas e elas de nós, assim poderíamos completar coisas e frases que deixamos pela metade e consertar tudo o que fizemos de errado. Mas isso, infelizmente, não é possível.
É por isso que hoje resolvi escrever este texto, para lembrar o quão importante o presente é para nós. Por mais planos que possamos fazer, o dia de amanhã será sempre incerto, afinal, nossa vida não nos pertence - por mais estranho que isso possa soar, essa é a verdade. E eu lamento muito falar sobre isso só agora que a morte abalou minha família, mas parece que ela não traz apenas sofrimento, ela é sábia, deixa para nós uma espécie de recado, como se dissesse: “viva sua vida intensamente, você nunca saberá quando será a sua vez; valorize quem você ama, a vez deles também é incerta. Aproveite, a vida é uma só... e é agora!”.


Descanse em paz Tio Chico...