Semana passada aconteceu algo que me deixou muito triste e decepcionada. O problema é antigo, mas o ocorrido foi a gota d'água para tudo vir à tona novamente. Cheguei a bolar em minha cabeça um gigantesco texto no qual me lamentava sobre tudo e enumerava razões pelas quais eu poderia considerar minha vida uma droga. Tinha até selecionado a música do vídeo ao lado para completar o post, afinal, ela dizia tudo o que eu estava pensando naquele momento. Acho incrível quando ouvimos do(a) cantor(a) palavras que traduzem exatamente o que sentimos e/ou vivemos - por um momento até pensei que era eu quem tinha escrito a letra. Para quem não entende o inglês, a tradução está AQUI.
Sabe, eu me vi muito nessa história. Não é de hoje que situação semelhante a da música acontece na minha vida; é difícil de explicar e mais ainda entender. A questão não tem a ver com o material ou o físico, ela mexe com o psicológico. E, olha, não existe nada pior que uma cabeça bagunçada.
Mas, já passou, não é sobre isso que eu queria falar. A intenção deste texto é dizer que eu desisti de escrever o post deprimente que queria, porque, além de estar cansada de ficar me lamentando e chorando pelos cantos, eu não quero culpar ninguém de coisa alguma. Passado já era, não volta mais, por isso não é preciso guardar magoa dos outros. É muito fácil culpar uma terceira pessoa pelas nossas frustrações e falta de coragem de enfrentar o que quer que seja. Nunca vou me esquecer da frase de Sartre que li em um texto do livro Doidas e Santas (MEDEIROS, Martha) “não importa o que fizeram com você, importa é o que você fez do que fizeram com você”.
Ainda é difícil para mim (e imagino que para a maioria das pessoas) lidar com a ideia de que somos nós os grandes responsáveis pela nossa felicidade, afinal, teríamos que admitir e corrigir aqueles erros que provam que, sim, nós estávamos errados e fracassamos. Porém, não podemos negar que é (e sempre será) mais cômodo culpar o outro por aquilo que não deu certo. Para nós, é inadmissível ser causador da própria tristeza, não tem lógica isso. Como alguém pode escolher ser infeliz?! Mas, esquecemos que continuar sofrendo ou seguir em frente é uma decisão pessoal. Não existem diferenças quanto à capacidade das pessoas de se superarem, faz isso quem quer. A gente pode passar anos no fundo do poço ou dar a volta por cima... a escolha é - única e exclusivamente - nossa.