Não me considero uma adulta, apesar da maturidade precoce, também tenho minhas criancices. Não sei o que quero da vida, muito menos o que esperar dela. Sou insegura, complexada, e, por isso, afasto todos que tentam se aproximar de mim.
Tento construir a imagem de uma pessoa forte e auto-suficiente, mas não passo de uma criança carente que precisa de atenção. Choro de raiva, de dor, de saudade... choro por tudo! Quando estou triste, durmo abraçada a meu ursinho de pelúcia preferido e planejo fugir quando penso que está tudo errado. Quem me vê sempre calada não imagina que dentro de mim há uma garota que grita – e grita muito alto! – mas ninguém escuta.
É complicado... Tenho um medo incomum, tenho medo de gente. É difícil confiar nas pessoas quando aquelas que foram mais importantes na sua vida te decepcionaram. É difícil deixar que os outros vejam suas fraquezas se você sempre precisou ser forte. É difícil admitir que precisa de ajuda, quando sempre se esforçou para fazer tudo sozinha.
Sinto que perco meu tempo sendo alguém que não existe. Simplesmente não consigo ser eu mesma com as pessoas; na verdade, tentei me esconder delas por tanto tempo que, às vezes, nem sei direito quem sou. Felizmente tenho amigos que me conhecem muito bem, mas posso contar nos dedos quem são. Para se ter uma idéia, tem gente que me conhece há anos, mas sabe nada sobre mim. Muitas pessoas já me disseram que sou uma incógnita, que nunca sabem o que eu estou pensando, o que eu sinto ou o que quero. Talvez a minha personagem seja mesmo misteriosa, mas eu de verdade sou muito transparente. Depois que consigo ultrapassar essa barreira e ter confiança em alguém, acho que é fácil para essa pessoa me entender. Afinal, eu posso falar sem dizer coisa alguma; meus olhos desmentem aquilo que minha boca tenta esconder; faço caras e bocas que valem por mil palavras; meu silencio é compreensível... é fácil saber o que eu penso, basta olhar para mim.
Mas isso, como já disse, são poucos que conseguem notar. A maioria das pessoas ainda me olha e vê uma interrogação no lugar, porque, provavelmente, é isso que eu passo para elas. Porém, não pensem que quero ser a Sra. Misteriosa para sempre, eu vou mudar. Estava meio perdida, confusa e receosa, com um medo infantil que não tinha lógica alguma. As pessoas se amam, odeiam, decepcionam.... Afastar-me delas não seria garantia de felicidade, pelo contrário, a solidão deixa o indivíduo estático, não dá a ele a chance de se superar e aprender com os erros, afinal, ela própria já é um erro (o pior dentre todos o que podemos cometer).
Não preciso ser um livro aberto, mas não quero que precisem de senha para saber quem eu sou...
(...)
Posso me perder, mas me encontro em palavras. Enquanto puder escrever, eu não piro. =)