Pedido do Coração.

Há pessoas que não conseguem cantar, outras não conseguem falar em público, há quem não saiba cozinhar, escrever, andar de salto alto, mexer no computador... e, há aqueles que não conseguem se apaixonar. Confesso, faço parte deste último grupo. Nunca amei e nunca ninguém me amou, e, se amou, preferiu amar em silêncio, pois fez nada para me conquistar. Sinto-me deslocada neste mundo onde o amor é o principal sentimento do homem, ele está em todo lugar: na literatura, no cinema, na televisão, nas músicas, no ar, nas calçadas e em qualquer lugar que eu vá. É horrível, não consigo me sentir uma pessoa normal sendo que todo mundo que eu conheço já se apaixonou. Uma vez, até tentei gostar de alguém, só que não dava para a gente ficar junto. Mas, por incrível que pareça, eu não sofri por isso. Foi então que eu percebi que estava me enganando, minha vontade de amar era tão grande, que eu inventei um amor para mim. Tudo durou tão pouco que nem deu para curtir.
Houve um tempo em que isso não me incomodava, ser uma garota livre era ótimo, pois não me preocupava nem sofria com as atitudes dos homens comigo. Mas, isso cansa. A gente se sente vazia, ouve uma música romântica e... nada. Vejo a diferença quando vou a um show com minhas amigas e olho a reação delas cantando as músicas que falam de amor. Cada refrão tem um destinatário, elas cantam pensando nos seus amados. E eu? Penso em alguém? Não. Porque, apesar de ser uma pessoa sentimental, romântica, sensível, daquelas que choram vendo comercial de margarina, eu tenho um coração de pedra quando o assunto é esse tipo de amor.
Eu sei, admito, tenho medo de amar. Peguei o trauma de todo mundo que sofreu um dia, cada história infeliz de amor não correspondido que me contavam me fazia ter medo. Por isso pedia a Deus para Ele não me fazer sofrer assim e nunca me apaixonar. Então... Ele atendeu meu pedido. Por um tempo achei que tinha feito um bom negócio, mas hoje eu sei que não. A gente não pode simplesmente fugir disso, faz parte de ser humano amar, ter uma pessoa que valha por mil. Não quero ficar com mil homens, quero só um. Mas não quero um querer vago, estar com alguém por carência; quero um querer intenso, estar com alguém porque eu quero, porque me faz bem, porque eu o amo. Só isso. Por quê será que é tão difícil?
Tudo bem, admito, de novo, que não sou uma pessoa muito fácil de lidar. Na verdade não sou fácil em nada, sou quase impossível. Acho que sou um pouco exigente. Não digo exigente com a aparência do cara, mas com a personalidade dele. Quando fico com alguém e ele aparenta ser uma pessoa muito chata, eu fujo. Eu FUJO, gente. Saio de perto mesmo. Sabe, eu não sou uma garota normal, não gosto que fique me elogiando toda hora, falando de mim, do meu beijo e blábláblá. Ai, que preguiça! A pessoa acaba de me conhecer e já fica cheia de amor comigo? Ah não, para mim não dá. Os homens precisam entender que a conquista não pode acabar só porque eles já conseguiram ficar com a garota. Eu prefiro que o cara passe mais tempo conversando comigo do que com a mão no meu corpo e que olhe mais para os meus olhos do que para meu decote. Eu preciso desse jogo para me manter interessada. Posso não ser chegada a esportes radicais, mas quando o assunto é amor, eu sou uma aventureira: quero emoção, adrenalina e frio na barriga. Tire o meu sossego, me deixe curiosa, discuta comigo, duvide de mim...e, principalmente, me faça rir. Se for assim, tenho certeza que não vou escapar, eu vou me apaixonar. Depois que tudo isso passar, quando eu já tiver apaixonada, aí sim, pode fazer aqueles elogios que eu não aceitava no começo, pode me dizer coisas bonitas (e outras nem tanto assim), pode fazer o que quiser... Eu não vou exigir cumplicidade, confiança, nem mesmo amor, porque isto a gente terá que construir juntos.
Eu não quero um homem perfeito, quero um homem de verdade, com medos e defeitos, que chore quando tem vontade, que saiba pedir desculpas quando preciso, que seja persistente e, o mais importante: consiga me ensinar a amar.