Eu queria muito não ser dona dos meus pensamentos. Queria que eles me deixassem em paz, pois não agüento mais tanta inquietação e descontentamento. Preciso de tranqüilidade, da cabeça e do corpo igualmente descansados. Preciso saber o que quero, quem sou eu e se sou capaz de descobrir isto. E, caso seja, se posso lidar bem com minhas escolhas.
Eu estou perdida em todos os sentidos que alguém pode estar. É difícil admitir que está tudo fora do lugar e que não tenho forças para reorganizar minha vida. Sinto-me confusa, me pego pensando no futuro e não consigo entender ao certo o que ele reserva para mim.
A grande questão é: como saber se estou no caminho certo? Existe algum tipo de sinal? Uma luz, uma voz ou alguma coisa que me faça saber que estou onde deveria estar? Afinal, são tantos caminhos! A gente escolhe um, nos preparamos, procuramos saber todas as informações necessárias para termos um final feliz, mas no meio do trajeto, como num passe de mágica, tudo muda. De repente, o caminho fica quase intransponível e nós nos sentimos imóveis, algo em nossa mente diz o tempo todo: NÃO DÁ, EU NÃO CONSIGO MAIS SEGUIR EM FRENTE!
Por que as coisas não acontecem simplesmente como havíamos previsto? Por que nos deparamos com bifurcações que nos deixam desnorteados? Eu não quero ser surpreendida, não quero me decepcionar, não quero me arrepender e voltar atrás. Eu quero continuar seguindo o caminho que escolhi, sem lamentações e suposições de como as coisas poderiam ter sido se fizesse algo diferente.
Mas, infelizmente, isto não é possível. Nós cometemos erros, ficamos infelizes, temos necessidade de mudar o que não está bom. Estamos sempre sujeitos a tomar decisões erradas e nos perder durante nossa trajetória. Não adianta seguir um roteiro, não há mapa nem GPS que nos oriente, nosso caminho nunca estará pronto, afinal, é a gente que o controi.
E é por saber que somos os grandes responsáveis por nossas escolhas e futuro que fico confusa, amedrontada, sem saber qual direção seguir. Nunca vou entender a razão de todo mundo querer ser dono do próprio nariz. Estamos sempre buscando a liberdade, mas esquecemos que não há nada pior e mais desesperador do que ter o destino em nossas mãos.
