Aqui e agora.


“Ninguém se sente como um adulto. É o segredo sujo do mundo”. Vi esta frase outro dia num filme e ela me fez pensar bastante. Quando somos crianças sabemos que somos crianças; adolescentes, idem. Somos dependentes de nossos pais e o mundo nos enche de restrições: não podemos assistir a certos filmes, entrar em vários estabelecimentos, viajar sem autorização, beber bebida alcoólica, etc. Mas quando nos tornamos adultos dificilmente nos sentimos como um. Ampliam-se as possibilidades (agora podemos fazer o que bem entendermos), porém com elas também crescem as responsabilidades, as inseguranças e os medos.
As ordens de nossos pais são substituídas por conselhos, se não os seguirmos, não tem problema, não ficaremos de castigo. Na verdade, se algo der errado teremos que arcar com as consequências das nossas escolhas, e, acredite, dói muito mais saber que somos responsáveis pelo nosso fracasso do que receber aquelas palmadas e chineladas que recebíamos quando éramos desobedientes.
Nossos machucados não são mais curados com beijos e cuidados da nossa mãe. A maioria não sangra e nem deixa cicatrizes aparentes. Passamos a conhecer dores que não são físicas, mas doem como se fossem (e doem muito!). Por mais reconfortante que seja o colo de quem a gente ama, nada nem ninguém pode resolver nossos problema por nós (mas nossa vontade sempre será correr para os braços de alguém especial e chorar até que tudo fique bem novamente).
Secretamente desejamos voltar ao tempo e termos aquelas certezas que tínhamos quando éramos adolescentes (Por que elas nos abandonam quando mais precisamos delas?). Quanto mais o tempo passa, mais dúvidas a gente tem.  Quando crescemos percebemos que o mundo não é tão simples quanto parecia, não somos tão inabaláveis quanto pensávamos e nos enganamos com as pessoas, nem sempre aquelas que estão próximas a nós querem o nosso bem.
No fundo, esperávamos receber um manual com todas as diretrizes para agirmos como gente grande. De preferência num ato solene, como uma formatura, nos autorizando a sermos adultos: “você passou pela infância e pela adolescência com louvor, agora está pronto para a vida adulta”. Infelizmente, não é assim que funciona.
Como adultos estamos constantemente andando em uma corda bamba rumo à felicidade, mas temos que permanecer em equilíbrio para não sermos devorados pelos monstros da tristeza, da solidão, da insegurança e do conformismo, que ficam a espreita, apenas aguardando nossa queda.
 É preciso ter consciência de que não existe vida perfeita, por isso não devemos nos martirizar quando erramos. Mesmo que nos machuquemos no caminho, enquanto nossos pulmões se enchem de ar e nosso coração bate, sempre teremos a escolha de recomeçar.
A grande verdade é que fomos ingênuos quando achávamos que seria fácil, mas não precisamos sofrer por isso. O jeito é viver nossa vida da melhor maneira possível, com nossos medos, responsabilidades, tristezas, alegrias, sonhos, lembranças, amores, esperanças e todos os sentimentos loucos e confusos que fazem de nós quem somos.
 O tempo não volta mais, nossa vida é aqui e agora. Aproveite!