Não sei como é com as outras mulheres, mas sempre que acontece alguma mudança em minha vida eu preciso mudar algo em meu cabelo. Seja pintar, cortar dois dedos (fazem diferença sim!), parti-lo de um lado diferente... não importa. Preciso externar aquelas mudanças que existem dentro de mim, por isso ao me olhar no espelho quero me ver diferente (mesmo que apenas eu repare a diferença).
Recentemente fui atropelada por um caminhão dessas mudanças, precisava radicalizar no visual. Queria cortar, mas não tinha coragem (é muito apego, gente!). Mas depois de descobrir o trabalho de uma ONG que recebe doações de cabelo para confeccionar perucas para pacientes com câncer, a coragem veio. Cortei mais de 20 cm (muito para quem não gostava de cortar mais do que 2 dedos) e adorei.
Pela primeira vez na minha vida eu não me arrependi e não quis matar o cabeleireiro e toda sua família. Superei meu trauma infantil de quando minha mãe, sem me avisar, cortou meu cabelo estilo Joãozinho e eu sofri durante meses.
Adoro ter o cabelo curto, ele me impulsiona a ter mais confiança, afinal, não tenho mais aquele cabelão para me esconder. Ele seca mais rápido, economizo na quantidade de shampoo e nesse calor infernal me sinto mais leve.
Não me importo com o fato de que homens preferem mulheres de cabelos grandes. Uma vez um colega de serviço me aconselhou a não cortar os meus porque homem gosta de cabelo comprido. Na época eu estava muito insegura, acreditei nele e desisti da ideia. Cansei de ouvir historias de caras que brigaram com suas namoradas porque elas cortaram os seus. Como se ser mulher se reduzisse a ter o cabelo longo.
Eu sou mais do que meu cabelo, meu corpo e minhas roupas. Quando a gente se dá conta disso, tudo fica mais fácil. Não importa a preferencia nacional, não importa a opinião do vizinho, não importa o que as revistas dizem. A única opinião que interessa é a nossa. O que fazemos com nosso cabelo, nosso corpo, nossas roupas e, principalmente, nossa vida é problema nosso. Com os cabelos na cintura ou carecas quem manda na gente somos nós. Devemos nos amar e nos sentir lindas sempre, independentemente dos padrões de beleza. Afinal, ser bonita é ser feliz!
